sábado, 26 de março de 2011

Sozinha - Sandra de Sá

Minha Namorada - por Fabio Junior

Minha Namorada-Vinícius e Miúcha

Quem não tem namorado – Carlos Drummond de Andrade

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.




Que delícia de texto! Leve, doce, simples, romântico e com aquela sutil pitadinha de humor. Encontrei na internet assinado por Carlos Drummond de Andrade. Sinceramente não sei se realmente é, não fui atrás de fontes que confirmem. (Espero que não seja mais um "falso poeta" da net) . No entanto postei assim mesmo porque gostei e principalmente do último parágrafo. Namorar é bom demais. Preciso encontrar urgente mente o tal licor de contos de fadas rsrsrs....
:)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Adeus Às Ilusões



Sinopse

Em uma pequena cidade da Califórnia Laura Reynolds (Elizabeth Taylor), uma artista com um jeito muito livre de viver, cria Danny (Morgan Mason), seu filho adolescente. Ela gostaria de educá-lo em casa mas as autoridades não permitem, então ela manda Danny para uma escola dirigida por Edward Hewitt (Richard Burton), um sacerdote episcopal que é casado com Claire (Eva Marie Saint). Porém, quando vai visitar o filho, Laura se apaixona por Edward e é correspondida.


título original: (The Sandpiper)
lançamento: 1965 (EUA)
direção:Vincente Minelli
atores:Elizabeth Taylor, Richard Burton, Eva Marie Saint, Charles Bronson.
duração: 116 min
gênero: Drama


Já não me lembro o número de vezes que assisti este filme só lembro que em todas elas eu chorei. :)

Elizabeth Taylor

Morreu nesta quarta-feira (23/3/2011), aos 79 anos, vítima de insuficiência cardíaca, a atriz Elizabeth Taylor, uma das grandes estrelas do cinema norte-americano. Ela estava internada há dois meses no hospital Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles.

Elizabeth Rosemond Taylor nasceu em 1932, em Londres, Inglaterra. Conhecida como Liz Taylor, iniciou a carreira artística aos dez anos, logo depois de se mudar para os Estados Unidos. Participou de filmes infanto-juvenis e evoluiu como atriz talentosa e respeitada pela crítica. Nos anos 50, filmou dramas, como Um lugar ao Sol, com o ator Montgomery Clift; Assim Caminha a Humanidade, com Rock Hudson. Nessa década fez ainda A Última Vez Que Vi Paris, ao lado de Van Johnson e Donna Reed.

A atriz também ficou famosa pelos inúmeros casamentos (oito ao todo), sendo o mais conhecido com o ator inglês Richard Burton, com quem se casou duas vezes e fez duplas em vários filmes nos anos 60, como o antológico Cleópatra e o dramático Quem tem medo de Virgínia Woolf?, em que ela ganhou o segundo Oscar. O primeiro prêmio veio em 1960 por O Número do Amor. Nessa época, Liz sagrou-se a atriz mais bem paga do mundo.


Filmografia

2001 - These old broads (TV)
1999 - Visit, The
1994 - The Flintstones - O filme (The Flintstones)
1989 - Doce pássaro da juventude (Sweet bird of youth)
1988 - Young Toscanini
1987 - Poker Alice (Poker Alice) (TV)
1986 - Cenas de mulher (There must be a pony) (TV)
1985 - As colunistas do escândalo (Malice in Wonderland) (TV)
1983 - Between friends (TV)
1983 - Montgomery Cliff
1981 - Genocide
1980 - A Maldição do Espelho (The Mirror Crack'd)
1979 - Morte no inverno (Winter kills)
1978 - Return engagement (TV)
1977 - A light night music
1976 - Vitória em Entebbe (Victory at Entebbe) (TV)
1976 - O pássaro azul (Blue bird, The)
1974 - Era uma vez em Hollywood (That's entertainment!)
1974 - Driver's seat, The
1973 - Vigília nas sombras (Night watch)
1973 - Divórcio dele, divórcio dela (Divorce his, divorce hers) (TV)
1973 - Meu corpo em tuas mãos (Ash Wednesday)
1973 - Under milk wood
1972 - X, Y e Z (Z and Co.)
1972 - Unidos pelo mal (Hammersmith is out)
1970 - Jogo de Paixões (The Only Game in Town)
1969 - Ana dos mil dias (Anne of the thousand days)
1968 - Cerimônia Secreta (Secret Cerimony)
1968 - O homem que veio de longe (Boom)
1967 - O Pecado de Todos Nós (Reflections in a Golden Eye)
1967 - A megera domada (La bisbetica domata)
1967 - Os Farsantes (The Comedians)
1967 - Doutor Faustus (Doctor Faustus)
1966 - Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (Who's Afraid of Virginia Woolf?)
1965 - Love goddesses, The
1965 - Adeus às Ilusões (The Sandpiper)
1965 - Big sur, The (curta-metragem)
1963 - Gente Muito Importante (The V.I.P.s)
1963 - Cleópatra (Cleopatra)
1960 - Disque Butterfield 8 (Butterfield 8)
1960 - Scent of a mystery
1959 - De Repente, No Último Verão (Suddenly, Last Summer)
1958 - Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof)
1957 - A Árvore da Vida (Raintree County)
1956 - Assim Caminha a Humanidade (Giant)
1954 - A Última Vez Que Vi Paris (The Last Time I Saw Paris)
1954 - No Caminho dos Elefantes (Elephant Walk)
1954 - Rapsódia (Rhapsody)
1954 - O belo Brummell (Beau Brummell)
1953 - A jovem que tinha tudo (Girls who had everything, The)
1952 - O melhor é casar (Love is better than ever)
1952 - Ivanhoé, o Vingador do Rei (Ivanhoe)
1951 - Esperto contra esperto (Callaway went thataway)
1951 - Um Lugar ao Sol (A Place in the Sun)
1951 - O netinho do papai (Father's little dividend)
1951 - Quo Vadis? (Quo Vadis?)
1950 - O pai da noiva (Father of the bridge)
1950 - Verdade que seduz (Big hangover, The)
1949 - Quatro Destinos (Little Women)
1949 - O traidor (Conspirator)
1948 - O príncipe encantado (A date with Judy)
1948 - Travessuras de Júlia (Julia Misbehaves)
1947 - Nossa vida com papai (Life with father)
1947 - Cynthia
1946 - Courage of Lassie
1944 - A Mocidade é Assim Mesmo (National Velvet)
1944 - White cliffs of Dover, The
1944 - Jane Eyre (Jane Eyre)
1943 - Lassie (Lassie come home)
1942 - There's one born every minute

Texto e fotos /Internet

terça-feira, 22 de março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

Frases...citações...fragmentos - Clarice Lispector







*Decifra-me, mas não conclua. Eu posso te surpreender.


*Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível,
é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador.


*A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais.


*Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando.


*Ser um ser permissível a si mesmo é a glória de existir.


*Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por que dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma.

*Onde aprender a odiar para não morrer de amor?


*Eu sou à esquerda de quem entra. E estremece em mim o mundo. Sou um coração batendo no mundo.

*Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor que tem que ser vivido
até última gota. Sem nenhum medo. Não mata.


*Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero. Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce, dificuldades para fazê-la forte, tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz.


*Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus.”
Um sopro de vida


*É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.


*Abandone-se, tente tudo suavemente, não se esforce por conseguir – esqueça completamente o que aconteceu e tudo voltará com naturalidade.


*O cacto é cheio de raiva com os dedos todos retorcidos e é impossível acarinhá-lo. Ele te odeia em cada espinho espetado porque dói-lhe no corpo esse mesmo espinho cuja primeira espetada foi na sua própria grossa carne. Mas pode-se cortá-lo em pedaços e chupar-lhe a áspera seiva: leite de mãe severa.


*Oh Deus, eu que faço concorrência a mim mesma. Me detesto. Felizmente os outros gostam de mim. É uma tranqüilidade.


*Tudo tem que ser bem de leve para eu não me assustar e não assustar os que amo. Pedem-me pouco, pedem-me quase nada. O terrível é que eu tenho muito para dar e tenho que engolir esse muito e ainda por cima dizer com delicadeza : obrigada por receberem de mim um pouquinho de mim.


*Tão secreta é a verdadeira vida, que nem a mim, que morro dela, me pode ser confiada a senha, morro sem saber de quê. E o segredo é tal que, somente se a missão chegar a se cumprir é que, por um relance, percebo que nasci incumbida – toda vida é uma missão secreta.


*Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio.


*Estava permanentemente ocupada em querer e não querer ser o que eu era, não me decidia por qual de mim, toda é que nao podia ser; ter nascido era cheio de erros a corrigir. Só tinha tempo de crescer. O que eu fazia para todos os lados, com uma falta de graça que mais parecia o resultado de um erro de cálculo. Na minha pressa eu crescia sem saber pra onde.


*Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.
Sou uma só. Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo.


*Aceitar-me plenamente? É uma violentação de minha vida. Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: meu coração está espantado. É por isso que toda minha palavra tem um coração onde circula sangue.


*Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.


*Laranja na mesa.Bendita a árvoreque te pariu.


*Se tudo existe é porque sou. Mas por que esse mal estar? É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é. Desconfortável. Não me sinto bem. Não sei o que é que há. Mas alguma coisa está errada e dá mal estar. No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza. O que há então? Só sei que não quero a impostura. Recuso-me. Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado.


*Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.


*Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo. Gênero não me pega mais.


*Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada. Porque no fundo a gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro.


*É estranho sentir saudade de algo o qual mal vivi ou evitava viver.


*A verdade é que sou intensa demais e não há quem dê jeito nisso. Sofro dores que não são minhas. Vibro com alegrias que não me pertecem. O bom de tudo é que, toda noite antes de dormir, eu rezo. E sempre sorrio. (Mesmo quando estou triste)


*Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.


* Eu vou me acumulando, me acumulando, me acumulando - até que não caibo em mim e estouro em palavras.


*Respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você.


*Tenho o péssimo costume de fugir de algumas coisas que amo.


*Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento."


*Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho".



*Não sei se quero descansar,por estar realmente cansada ou se quero descansar para desistir.


*Eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.


*Ás vezes fico reduzida ao essencial,quer dizer,só meu coração bate.


*Sou como você me vê, posso ser leve como uma brisa, ou forte como uma ventania,
depende de quando, e como você me vê passar.


*Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas.


*E se me achar esquisita,respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.


*Eu sou mansa mas minha função de viver é feroz.


*Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer.


*Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.



*Não me prendo a nada que me defina! Sou companhia mas posso ser solidão... tranquilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio! Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer. Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... ou toca, ou não toca!


*Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e Deus.


*Não me deem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza, não serei a mesma pra sempre".


*Eu já começara a adivinhar que ele me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.


*Tudo o que não sou não pode me interessar, há impossibilidade de ser além do que se é – no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio, sou mais do que eu quase normalmente.


*Se você sabe conviver com pessoas intempestivas, emotivas, vulneráveis, amáveis, que explodem na emoção: acolha-me.


*Cuide-se como se você fosse de ouro, ponha-se você mesmo de vez em quando numa redoma e poupe-se.


*Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo.... Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. ...Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força.


*Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma.


*Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista.Preciso de paciência porque sou vários caminhos,inclusive o fatal beco-sem-saída.



*Eu não sou triste assim, é que hoje eu estou cansada.


*Mas não sou completa, não.
Completa lembra realizada.
Realizada é acabada.
Acabada é o que não se renova
a cada instante da vida e do mundo.
Eu vivo me completando, mas falta um bocado.


*Sabe o que eu quero de verdade? Jamais perder a sensibilidade, mesmo que às vezes
ela arranhe um pouco a alma. Porque sem ela não poderia sentir a mim mesma.


*Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere
qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a
gente não está querendo alterar as coisas. A gente está
querendo desabrochar de um modo ou de outro...


*Apesar do meu ar duro, sou cheia de muito amor e é isso o que certamente me dá uma grandeza.

domingo, 20 de março de 2011

Medo da eternidade - Clarice Lisperctor - Conto


Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chiclés e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

- Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.
- Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.
- Não acaba nunca, e pronto.
- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor de rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor de rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal pondo o chiclé na boca.

- E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.
- Agora chupe o chiclé para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
- Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chiclé era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
- Acabou-se o docinho. E agora?
- Agora mastigue para sempre.

Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola, dei um jeito de o chiclé mastigado cair no chão de areia.
- Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. – Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
- Já lhe disse – repetiu minha irmã – que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chiclé na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chiclé caíra na boca por acaso.

Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.

Cem Anos de Perdão - Clarice Lispector - Conto

Quem nunca roubou não vai me entender. E quem nunca roubou rosas, então é que jamais poderá me entender. Eu, em pequena, roubava rosas.
Havia em Recife inúmeras ruas, as ruas dos ricos, ladeadas por palacetes que ficavam no centro de grandes jardins. Eu e uma amiguinha brincávamos muito de decidir a quem pertenciam os palacetes. "Aquele branco é meu." "Não, eu já disse que os brancos são meus." Parávamos às vezes longo tempo, a cara imprensada nas grades, olhando.
Começou assim. Numa dessas brincadeiras de "essa casa é minha", paramos diante de uma que parecia um pequeno castelo. No fundo via-se o imenso pomar. E, à frente, em canteiros bem ajardinados, estavam plantadas as flores.
Bem, mas isolada no seu canteiro estava uma rosa apenas entreaberta cor-de-rosa-vivo. Fiquei feito boba, olhando com admiração aquela rosa altaneira que nem mulher feita ainda não era. E então aconteceu: do fundo de meu coração, eu queria aquela rosa para mim. Eu queria, ah como eu queria. E não havia jeito de obtê-la. Se o jardineiro estivesse por ali, pediria a rosa, mesmo sabendo que ele nos expulsaria como se expulsam moleques. Não havia jardineiro à vista, ninguém. E as janelas, por causa do sol, estavam de venezianas fechadas. Era uma rua onde não passavam bondes e raro era o carro que aparecia. No meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanta tonteira de perfume.
Então não pude mais. O plano se formou em mim instantaneamente, cheio de paixão. Mas, como boa realizadora que eu era, raciocinei friamente com minha amiguinha, explicando-lhe qual seria o seu papel: vigiar as janelas da casa ou a aproximação ainda possível do jardineiro, vigiar os transeuntes raros na rua. Enquanto isso, entreabri lentamente o portão de grades um pouco enferrujadas, contando já com o leve rangido. Entreabri somente o bastante para que meu esguio corpo de menina pudesse passar. E, pé ante pé, mas veloz, andava pelos pedregulhos que rodeavam os canteiros. Até chegar à rosa foi um século de coração batendo.
Eis-me afinal diante dela. Para um instante, perigosamente, porque de perto ela é ainda mais linda. Finalmente começo a lhe quebrar o talo, arranhando-me com os espinhos, e chupando o sangue dos dedos.
E, de repente - ei-la toda na minha mão. A corrida de volta ao portão tinha também de ser sem barulho. Pelo portão que deixara entreaberto, passei segurando a rosa. E então nós duas pálidas, eu e a rosa, corremos literalmente para longe da casa.
O que é que fazia eu com a rosa? Fazia isso: ela era minha.
Levei-a para casa, coloquei-a num copo d'água, onde ficou soberana, de pétalas grossas e aveludadas, com vários entretons de rosa-chá. No centro dela a cor se concentrava mais e seu coração quase parecia vermelho.
Foi tão bom.
Foi tão bom que simplesmente passei a roubar rosas. O processo era sempre o mesmo: a menina vigiando, eu entrando, eu quebrando o talo e fugindo com a rosa na mão. Sempre com o coração batendo e sempre com aquela glória que ninguém me tirava.
Também roubava pitangas. Havia uma igreja presbiteriana perto de casa, rodeada por uma sebe verde, alta e tão densa que impossibilitava a visão da igreja. Nunca cheguei a vê-la, além de uma ponta de telhado. A sebe era de pitangueira. Mas pitangas são frutas que se escondem: eu não via nenhuma. Então, olhando antes para os lados para ver se ninguém vinha, eu metia a mão por entre as grades, mergulhava-a dentro da sebe e começava a apalpar até meus dedos sentirem o úmido da frutinha. Muitas vezes na minha pressa, eu esmagava uma pitanga madura demais com os dedos que ficavam como ensangüentados. Colhia várias que ia comendo ali mesmo, umas até verdes demais, que eu jogava fora.
Nunca ninguém soube. Não me arrependo: ladrão de rosas e de pitangas tem 100 anos de perdão. As pitangas, por exemplo, são elas mesmas que pedem para ser colhidas, em vez de amadurecer e morrer no galho, virgens.

Clarice e eu

Há quem diga que é preciso proficiência e preparo psicológico para ler Clarice Lispector. No caso de uma pesquisa acadêmica ou análise literária de suas obras pode ser, no entanto, eu como mera e simples leitora penso que Clarice não é para ler e entender e sim pra ler e sentir a sensibilidade da autora já que ela, em seus textos, ficcionalizava seu universo interior, seus questinamentos existenciais, suas angústias...Era como se quisesse passar a limpo sua vida. Clarice soube expor e desnudar tão profundamente sua alma como nenhum outro escritor(a) atreveu fazê-lo. Sim, Clarice coloca a alma pra fora e vomita verdades em seus textos.

Duas coisas me prendem à leitura e me fazem gostar ou não de determinado escritor. Primeiro é quando consigo visualizar a cena descrita no texto (geralmente em romances) e segundo, quando me sinto um pouco personagem do mesmo. Isso me acontece sempre que leio algum conto e os fragmentos de Clarice. E é por isso que gosto, adoro ler Clarice Lispector . :)

Clarice por Clarice - Pedro Karp Vasquez




















Temperamento:

Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma ideia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente...



Ideal de vida:

Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.
O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha?
[...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.
É pouco, é muito pouco.



Escritora, sim; intelectual, não!

Outra coisa que não parece ser entendida pelos outros é quando me chamam de intelectual e eu digo que não sou. Não se trata de modéstia e sim de uma realidade. Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência. Uso é a intuição, o instinto. Literata também não sou porque não tornei o fato de escrever livros ‘uma profissão’, nem uma ‘carreira’. Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis. Sou uma amadora?
O que sou então? Sou uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.



A síntese perfeita:

Sou tão misteriosa que não me entendo.



Viver e escrever:

Quando comecei a escrever, que desejava eu atingir? Queria escrever alguma coisa que fosse tranquila e sem modas...
Não sei mais escrever, perdi o jeito. Mas já vi muita coisa no mundo. Uma delas, e não das menos dolorosas, é ter visto bocas se abrirem para dizer ou talvez apenas balbuciar, e simplesmente não conseguirem. Então eu quereria às vezes dizer o que elas não puderam falar.
Até hoje eu por assim dizer não sabia que se pode não escrever...



A importância da maternidade:

Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.



Viver plenamente:

Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre super exigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também super exige da vida.
Sim.



Escrever é Preciso:

Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada… Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro…

Escrevo porque à medida que escrevo vou me entendendo e entendendo o que quero dizer, entendendo o que posso fazer. Escrevo porque sinto necessidade de aprofundar as coisas, de vê-las como realmente são...”

Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever.


Clarice Lispector

Clarice Lispector nasceu numa aldeia de Tchetchelnik, na Ucrânia, no dia 10 de dezembro (?) de 1920, durante a fuga dos pais para a América. Em 1922, os Lispector chegam a Maceió, no Brasil, onde já tinham familiares. Aqui, Haia Lispector muda de nome, passando a chamar-se Clarice. Três anos depois, a família muda-se para Recife. É de lá que a menina Clarice retirará as suas primeiras lembranças. Também na capital pernambucana a escritora dá os seus primeiros passos. Aos nove anos, após assistir a uma peça de teatro, Clarice Lispector escreve Pobre menina rica, cujos originais perderam-se.

Após ingressar no ensino ginasial, Clarice lê Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Dá-se o encantamento. Na mesma época, passa a escrever com mais intensidade suas primeiras histórias. Sobre elas, afirma uma professora: são estranhas. Não têm qualquer traço de enredo. A autora de A paixão segundo G.H. desabrochava.

Em 1935, Pedro Lispector, cuja esposa morrera cinco anos antes, muda-se com as filhas Clarice e Tânia para o Rio de Janeiro. Entre 1935 e 1939, a jovem Clarice conclui os estudos primários e ingressa na Faculdade Nacional de Direito. No seguinte, com a morte do pai, Clarice passar a morar com a irmã, já casada. Para viver, emprega-se no Departamento de Imprensa e Propaganda. Lá conhecerá Lucio Cardoso, amizade duradoura da escritora.

Perto do coração selvagem, primeiro livro de Clarice Lispector, é escrito em 1942, quando a escritora já havia se casado com o diplomata Maury Gurgel Valente. Sucesso de crítica, à obra iriam se seguir O lustre, A Cidade sitiada, A maçã no escuro, A paixão segundo G.H. e outros, como Água viva e A hora da estrela.
Clarice Lispector morreu em 1997.

(Henrique Araújo, _ Especial para O POVO)

sábado, 19 de março de 2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Página Final - Flora Figueiredo

Mais uma vez o tempo me assusta.
Passa afobado pelo meu dia
Atropela minha hora
Despreza minha agenda.
Corre prepotente
A disputar lugar com a ventania.
O tempo envelhece, não se emenda.
Deveria haver algum decreto
Que obrigasse o tempo a desacelerar
E a respeitar meu projeto.
Só assim, eu daria conta
Dos livros que vão se empilhando
Das melodias que estão me aguardando
Das saudades que venho sentindo
Das verdades que ando mentindo
Das promessas que venho esquecendo
Dos impulsos que sigo contendo
Dos prazeres que chegam partindo
Dos receios que partem voltando.
Agora, que redijo a página final,
Percebo o tanto de caminho percorrido
Ao impulso da hora que vai me acelerando.
Apesar do tempo, e sua pressa desleal
Agradeço a Deus por ter vivido
Amanhecer e continuar teimando

Flora Figueiredo

Doce Poesia - Arnalda Rabelo

A poesia chega
assim...
Acanhada
De pés descalço
E...
Docemente
Passa pelos jardins desertos
Liberta o grito aprisionado
A dor emudecida
A alegria contida

A poesia é livre!

Restaura os poços secos da alma
Inunda-os com flores
E, sob uma sinfonia de pássaros
Traz de volta o arco-íris.

Arnalda Rabelo

A ruiva rosa sonora - Cecilia Meireles

Com sua agulha sonora
borda o pássaro o cipreste:
rosa ruiva da aurora,
folha celeste.


E com tesoura sonora
termina o bordado aéreo.
Silêncio. E agora
parte para o mistério.


A ruiva rosa sonora
com sua folha celeste
imperecível mora
no cipreste.


Cecília Meireles

Oferenda - Roseana Murray

Poesia é o que posso te oferecer
como um pouco de tempo claro
no fundo do tacho
como uma estrela de água


escuta: os pássaros forram a tarde
com seus invisíveis anseios


caminha com cuidado
o chão está armado
em cima de horizontes


tudo pode ruir de repente
essa casa de vento
meu coração

Roseana Murray

Dia Nacional Da Poesia - 14/11



Ontem, foi comemorado o "Dia Nacional Da Poesia" e passou em branco por aqui. Aos pouquinhos vou me acostumando com a idéia de que tenho um blog e que um dos assuntos abordados é a poesia. Sore! :)

segunda-feira, 14 de março de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ainda sobre as mulheres

Desde que postei sobre o Dia Das Mulheres, li e assisi algumas entrevistas que vão contra o meu modo de pensar e outras que coincidem com minhas idéias. E isso é legal.,às vezes dá uma sacudida a mais na cabeça da gente.
Deixo aqui o link de uma das entrevistas que assisti e gostei; afinal são mulheres falando de mulheres e não aqueles políticos idiotas que vão à tv e falam um monte de besteiras, como sempre.
Muitos não gostam da globo, eu sei, mas acho que vale a pena acessar a página e assistir. :)

http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1652459-17665-309,00.html#





terça-feira, 8 de março de 2011

Moço, cuidado com ela...Elisa Lucinda

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar mas é outro lugar, aí é que está: cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...
(Elisa Lucinda)



É, de fato, muitas vezes temos que ser não só a Mulher Maravilha mas uma Super Mulher Maravilha para aguentarmos o tranco do dia-a-dia. Não que eu goste de, às vezes, ter que me transformar em uma heroína mas ainda assim acho que vale a pena. Como disse anteriormente, eu gosto de ser ser mulher. :)

O lado quente do ser - Maria Bethania

segunda-feira, 7 de março de 2011

08-03_Dia Internacional da Mulher

Por mais que ironizem e digam que é bobagem ter um dia para celebrar e enaltecer as mulheres, eu particularmente gosto disso. Por que não? Essa de que "todo dia é dia" é que é uma grande bobagem. No dia-a-dia corrido e estressante como o de hoje em dia, ninguém tem tempo para parar e dizer: parabéns mulher, você é uma guerreira, uma vencedora! Capaz! Muitas agradecem, já outras culpam as operárias americanas que no dia 08/03/1857 fizeram uma grave manifestação por melhores condições de trabalho e as russas por terem deixado as suas casas e as fábricas em que trabalhavam, durante a Primeira Guerra Mundial, para sair às ruas e exigir “pão e paz”. A realidade feminina hoje é outra. Realidade de conquistas, de justiças, de igualdade ou quase igualdade equiparadas aos homens. Caso não tivesse acontecido tais rebeliões, com certeza, eu não estaria aqui no meu PC, não teria meu blog , não estaria me distraindo e escrevendo minhas coisinhas, botando meus pensamentos pra fora.

De fato, navegar é preciso! Que Fernando Pessoa não me ouça. rs

E pensar que tempos atrás eu me pegava dizendo: na próxima encarnação(?) quero ser homem! Aff! Quanta bobagem em uma frase só. Meu Deus, perdoa-me, eu não sabia o que estava dizendo! rs... . Ainda bem que as pessoas mudam, os pensamentos mudam. A própria vida nos cobra esta mudança. Hoje, sinto um orgulho enorme por ter nascido mulher, apesar de toda a TPM que suportei por uma determinada fase da minha vida.

Apesar de todas as conquistas obtidas, o que mais me enaltece como mulher é a realização de um sonho que Deus me proporcionou: o de ser mãe; de sentir outra vida dentro de mim. Dá trabalho? Dá! Dá preocupação? Dá! No entanto o prazer é muuuiiiitooooo maior! É sublime demais. Coisa de Deus mesmo, não tem outra explicação. E é por eles também que estamos aí na batalha, que estamos lutando contra um sistema caduco e machista.

Vamos, então, aproveitar o nosso dia mulherada e comemorar sim!

Parabéns Mulher! Feliz dia pra você que pensa como eu! :)


Uma curiosidade que eu não sabia: a data de hoje foi escolhida em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em 1857.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Mas é carnaval....

Se o amor é fantasia,

eu me encontro

ultimamente

em pleno carnaval.

V. Moraes

Chico - Nara - MPB4



Fundo do Baú! Muito legal! Detalhe: uns dos componentes do MPB4 de olho no Chico e na Nara rsrs... :)

Milton Nascimento/Chico Buarque



Recordando.Relembrando. :)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Me Chama - Marina Lima



Caramba, esse friozinho me pegou de calças curtas!
Não deu tempo nem de tirar o cheirinho de armário
das roupas, já que não gosto do cheiro de Boaticário
ou Natura nelas. rsrs... :)

terça-feira, 1 de março de 2011