domingo, 31 de julho de 2011

Amores mal resolvidos - Arnaldo Jabor


Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de sol, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade.Metade deste povaréu sofre de dor de cotovelo.
Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estima, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um amor mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação.
Por que isso acontece?
Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto.
Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo.
Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim.
Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que não.
Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: lembranças, amizade, parceria, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim.
Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia, sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade.
É preciso passar por todas as etapas:
atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.
Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores.
Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez.
Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize.
Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo.
Isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente!




*Encontrei o texto acima na net, gostei e trouxe aqui pro blog. Gostei pelo fato de ter vivido lá atrás , na minha juventude, algo parecido. E de fato fica mesmo no ar uma espécie de fantasia, na cabeça sempre a mesma pergunta (a famosa the question that won't go away) :- o que teria acontecido se a gente tivesse dito o que não foi dito, se tivesse feito o que não foi feito?
Tem, ainda, uma frase de Rubem Alves que também tem muito a ver com tal situação e que diz mais ou menos assim: " quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que a qualquer momento ele pode voar". E eu digo que a gente tem mais é que deixá-lo voar principalmente depois de todas as tentativas de um bom relacionamento terem ido por água abaixo. E mais, depois de o pássaro ter ido pousar em outro poleiro, quer dizer, em outro dedo o melhor a fazer é fechar o ciclo e abrir o coração para novas possibilidades, for a new love. :)




*Quanto a autoria não posso confirmar se é mesmo de Arnaldo Jabor; pelo menos em todas as páginas que pesquisei os créditos estavam sempre atribuídos a ele. :)

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